AINEs

O desconforto e o estresse proporcionados pela dor comprometem diversas funções fisiológicas no paciente, provocando problemas como anorexia, alterações hemodinâmicas, imunossupressão e retardo da cicatrização. O controle da dor em pacientes com osteoartrose têm por finalidade proporcionar alívio ao paciente, estimular a função da região lesionada, assim como facilitar a reabilitação do paciente.

Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são os agentes analgésicos mais empregados para alívio de dor moderada a intensa, sendo úteis especialmente para dores agudas e crônicas (Figura 1).

Figura 1: 
AINEs e opioides e suas respectivas doses usualmente adotadaos na terapia analgésica.

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Anti-inflamatório para cães composto por Carprofeno

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Antinflamatório para cães e gatos composto por cetoprofeno

Os anti-inflamatórios seletivos COX-1 causam certa preocupação, uma vez que a isoenzima COX-1 é constitutiva, ou seja, está presente em tecidos como mucosa gástrica e parênquima renal. Dessa forma, sua utilização inibe a isoenzima constitutiva, causando as alterações que conhecemos. Já os anti-inflamatórios seletivos COX-2 não provocam tais efeitos adversos, já que essa isoenzima só é produzida nos processos inflamatórios (figura 2). E devido a isso, há a recomendação do uso mais prolongado; mas existe o fato que essas substâncias seletivas COX-2 estimulam a agregação plaquetária, tornando-se necessário um acompanhamento do paciente medicado. Esse efeito não é observado com substâncias seletivas COX-1, já que impedem a agregação plaquetária; ressaltando a importância do controle em pacientes que  fazem uso crônico, direcionado a coagulação. (Figura 3).

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Figura 2: 

Figura 2: Ilustração demonstarndo a relevância clínica da atividade da ciclo-oxigenase (COX) e sua influência na saúde do paciente. Baseado nessas variáveis, AINEs podem ter uma grande influência no controle da dor e no processo inflamatótio e na fisiologia constitutiva (Modificado de Steven, 2014)

Figura 3: 

Classificação dos anti-inflamatórios convencionais

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A adoção de um protocolo analgésico multimodal é possível quando são utilizados concomitantemente fármacos de classes diferentes, que atuarão em sinergismo, reduzindo a dose e logo possíveis efeitos colaterais.

Você sabe porque os AINES agridem o estômago?

 

As prostaglandinas agem no estômago  a produção de ácido clorídrico e aumentando a produção do muco que reveste e protege a parede estomacal.

Quando as prostaglandinas são inibidas, o estômago fica mais vulnerável à ação do ácido aumentando o risco do surgimento de gastrite ou úlceras. Uma das principais causas de hemorragia digestiva alta é o sangramento de úlceras gástricas ou duodenais provocadas pelo uso indiscriminado de AINE. Já os AINES seletivos da COX-2, inibem as prostaglandinas responsáveis pela inflamação sem alterar as prostaglandinas que protegem o estômago.

Insuficiência Renal: 

As prostaglandinas agem nos rins aumentando o fluxo de sangue. Em pacientes com doenças renais ou com problemas que causem diminuição do aporte de sangue para os rins, como insuficiência cardíaca, desidratação ou cirrose, dependem muito da ação das prostaglandinas para manter os rins funcionando bem.

Nesses pacientes, o uso de AINEs é contraindicado, pois todos eles provocam inibição das prostaglandinas, caso seja extremamente necessário, a escolha por inibidores da COX1 seria mais adequada. Alguns estudos mostram que nos felinos, o uso de alguns AINEs da classe COX 2, podem ser tolerados em dosagens baixas.

 

Coagulação sanguínea

Além de atuar na produção das prostaglandinas, a COX também estimula a produção de tromboxano A2, que é uma substância que favorece a agregação das plaquetas, facilitando a sua ação nos processos de coagulação do sangue.

Quando a COX e o tromboxano A2 são inibidos pelos AINES, uma das consequências é a redução da capacidade de agregação plaquetária, o que diminui a capacidade do organismo em coagular o sangue.

           

Efeitos colaterais dos anti-inflamatórios

Os AINES, assim como outros medicamentos, devem ser utilizados conforme prescrição médica, diminuindo os riscos dos efeitos colaterais e interações com outros medicamentos que devem ser levados em conta antes de utilizá-los. Alguns dos efeitos adversos dos anti-inflamatórios são (FIGURA 4):

Figura 4: 
Efeitos adversos dos anti-inflamatórios

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Corticosteroides

Os corticoides são análogos sintéticos dos glicocorticoides e mineralocorticoides naturais. Os corticosteroides exercem seu efeito anti-inflamatório e imunossupressor através da indução da expressão gênica de lipocortina nos macrófagos, endotélio e fibroblastos. Essa proteína inibe a fosfolipase A2 resultando na redução da expressão de prostaglandinas, leucotrienos e fator de ativação plaquetária; da regulação negativa dos genes das citocinas nos macrófagos, células endoteliais e linfócitos que leva a menor produção de interleucinas (IL-1, -2, -3, -6), TNF, GM-CSF e Interferon, promovendo assim a supressão da proliferação dos fibroblastos, da função dos linfócitos T e interfere na quimiotaxia; da redução na produção de mediadores de fase aguda por macrófagos e células endoteliais; da redução da produção da ELAM-1 e ICAM-1 nas células endotelias envolvidas na adesão dos leucócitos; da inibição da liberação de LT-C4 e histamina mediada pela IgE dos basófilos e da redução na produção de colagenase e estromolisina, prevenindo a destruição tecidual (Figura 5). Na figura 6, é possível visualizar a dose/potência dos corticosteroides mais utilizados.

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Figura 5:

Ilustração demonstrando o mecanismo de ação dos corticosteroides

Figura 6:

Demonstração das potencias relativas e doses equivalentes de corticosteroides

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