TRATAMENTO  

MULTIMODAL DA OA

A osteoartrose é considerada uma doença multifatorial, assim, para obter sucesso no seu tratamento/controle é necessário compreender e aplicar um tratamento multimodal, gerenciando cada fase da doença e adequando as etapas do tratamento. Aqui você encontrará todas as modalidades para um tratamento de excelência, desde o tratamento mais invasivo, com a revisão de técnicas cirúrgicas, como tratamento conservador, entendendo o mecanismo de cada uma das modalidades.

 

DESAFIOS DO TRATAMENTO

A OA  é uma condição progressivamente degenerativa que afeta 20% da população com mais de um ano de idade. A gestão pode ser desafiadora e, às vezes, frustrante.

O tratamento conservador (não invasivo), utilizando analgésicos e medicamentos anti-inflamatórios, são por muitas vezes utilizados por longa duração. Além disso, ferramentas como fisioterapia e acupuntura, muitas vezes são empregas também por longos períodos. Tratamentos longos possuem maiores barreiras e tem maior probabilidade de serem abandonados durante a vida.

 

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O uso de um diário por parte dos tutores para anotações detalhadas e informações ao veterinário durante as revisões, podem contribuir para o plano de eficácia do manejo e possibilitar alterações nos mesmos.

Uma resolução em potencial é a criação de pacotes de atendimento/acompanhamento, como por exemplo a cada 1 consulta o animal é bonificado com 2 revisões sem ônus.

  • Diagnóstico

Os sinais clínicos rotineiramente demonstram dor e claudicação, contudo por ser uma condição crônica, a identificação e isolamento de qual é a articulação envolvida nesse processo é um grande desafio a ser enfrentado pelos tutores e veterinários. Os veterinários devem considerar que doenças imunomediadas não devem ser descartadas e são potenciais causadores de artropatias. Portanto, todas as causas e alterações devem ser diagnosticadas e tratadas, com a intenção de amenizar os sinais dolorosos da OA. Prosseguir com o tratamento sem um diagnóstico definitivo, pode gerar insucesso em muitos casos.

  • Monitoramento

Falhas em monitorar os resultados da terapia multimodal instituída para a gestão da OA é um grande desafio para os veterinários e tutores. Alguns fatores podem interferir no monitoramento como: variação da gravidade da doença articular e os diferentes estágios de dor que não necessariamente estão correlacionados com o grau de patologia ou condição radiográfica observado.

Outro ponto relevante é a variação da gravidade dos sinais clínicos em resposta aos diferentes tipos de estresse, o que pode alterar em poucos dias. Como por exemplo um animal que está bem controlado, mas que fez um exercício exagerado e após isso, apresenta uma claudicação importante.

Algumas barreiras impedem que o médico-veterinário possa realizar o monitoramento adequado, algumas delas estão relacionadas com a falta de consciência dos benefícios deste acompanhamento. Pode-se ressaltar o custo e a falta de tempo dos tutores para levar os animais ao atendimento, ambas situações podem ser potencialmente impeditivas para um bom monitoramento.

 

 

Avaliações subjetivas como medição da circunferência do membro, goniometria e criar uma escala de pontuação da claudicação, tornam-se excelentes métodos de monitorar mesmo que subjetivamente, a evolução do tratamento. Já os métodos objetivos de avaliação, como plataforma de força estão mais concentrados a grandes centros, onde a avaliação da marcha e pressão podem de forma objetiva indicar os resultados do tratamento.

  • Medicamentos:

Um dos produtos mais utilizados para o controle da dor na osteoartrose são os AINES (anti-inflamatório não esteroidais). Estudos sugerem que o uso a longo prazo de AINES (mais de 28 dias) é benéfico para aliviar a dor crônica de OA, porém os pacientes devem ser acompanhados durante este período evitando problemas colaterais sérios.

Os benefícios dos nutracêuticos na gestão da OA são amplamente debatidos e  seus resultados são muito satisfatórios, contudo, o uso de nutracêuticos pode carregar um fardo financeiro significativo para os proprietários, particularmente de cães de grande raça.

Durante a gestão do tratamento multimodal alguns analgésicos com boas evidências de eficácia podem ser utilizados para controle da dor. Dentre eles podemos destacar a Gabapentina, Amantadina e o Tramadol.

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A eficácia dos medicamentos só pode ser avaliada com o monitoramento minucioso realizado pelo veterinário, revisões regulares podem auxiliar que os tutores não se tornem complacentes nos cuidados com seus animais e manter a motivação em alta é sempre um grande desafio para tratamentos crônicos. Novas terapias devem e podem ser instituídas, mas é importante ressaltar que a resposta a um novo tratamento leva de 2 a 3 meses para se obter resultados satisfatórios. 

Portanto, alterações no comportamento e nível de atividade devem ser  monitorados e os resultados devem ser correlacionados com a eficácia do novo tratamento. Para avaliar com a maior precisão qual modalidade de tratamento esta proporcionando benefícios, os medicamentos não devem iniciar ou parar de uma só vez. Qualquer alteração deve ser feita uma de cada vez, sendo permitido pelo menos dois meses para que alterações na condição do animal se tornem evidentes.

  • Efeitos adversos 

Quando observados efeitos adversos, as estratégias de manejo variam, incluem a redução de dose, uma breve pausa medicamentosa, inclusão de protetores de mucosa gastrointestinal ou até mesmo suspensão completa da medicação. Estas alterações de dosagens e manejos de produtos devem ser consideradas para não prejudicar a qualidade de vida e bem-estar principalmente no controle da dor.

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Segundo alguns relatos, a maioria das preocupações dos proprietários é em relação à administração de anti-inflamatórios, estas preocupações vem de informações dadas pelos próprios veterinário, como tal, podemos estar construindo nossa própria barreira ao tratamento de AO.

  • Conformidade do proprietário 

Os desafios em manter os tratamentos propostos é sem dúvida muito relevante para a gestão da OA. Questionamentos e administração da expectativa dos tutores, passou a ser fundamental na conduta e sucesso destes tratamentos.

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Segundo alguns relatos, a maioria das preocupações dos proprietários é em relação à administração de anti-inflamatórios, estas preocupações vem de informações dadas pelos próprios veterinário, como tal, podemos estar construindo nossa própria barreira ao tratamento de AO.

A adesão aos medicamentos prescritos pode ser uma grande barreira a ser vencida, uma vez que os próprios seres humanos têm dificuldade para seguir as orientações médicas de tratamentos de uso contínuo.

Algumas orientações que podem ser sugeridas para melhorar este processo pode ser passar tempo suficiente com o cliente durante a consulta, transmitindo confiança e empatia com o tratamento prescrito.