ENTENDA 

A OSTEOATROSE

Se você é veterinário ou tutor de um animal com osteoartrose, deve ser capaz de entender o mecanismo de ação desta doença progressiva. Descrevemos neste programa informações importantes para que você compreenda as etapas que ocorrem nas fases de desenvolvimento da doença, podendo assim identificar precocemente as alterações e manejar o paciente da melhor forma possível.

 

DIAGNÓSTICO

Exames ortopédicos e complementares

Exame Ortopédico - A rotina no atendimento de doenças ortopédicas de pequenos animais é composta por lesões articulares e fraturas. Antes de qualquer tratamento, seja ele clínico ou cirúrgico, o paciente ortopédico, que normalmente tem o histórico claudicação e dor, deve ser examinado tendo a prioridade na localização e identificação da lesão para o melhor direcionamento do diagnóstico e o tratamento adequado das doenças. A manipulação do paciente deve ser feita cuidadosamente e o médico-veterinário deve estar treinado e familiarizado com o exame e as doenças ortopédicas, sabendo de suas habilidades e com consciência de até onde pode chegar, devendo solicitar auxilio de um colega mais experiente quando necessário.

 

Esta é a etapa objetiva do exame onde a palpação sistemática do paciente deve ser realizada. Cada examinador pode criar sua própria sequência de exame tendo como regra a comparação constante entre os lados direito e esquerdo e palpá-los como um todo, iniciando pelas extremidades e envolver até a parte superior do membro. O paciente em estação facilita a comparação dos membros quanto a atrofias e hipertrofias musculares. De preferência avalia-se primeiro o membro sadio, a fim de esclarecer as possíveis respostas fisiológicas do paciente. A sedação deve ser realizada somente em casos de extrema necessidade. Alterações como respostas dolorosas, aumentos de volume, instabilidades e crepitações (rangidos e estalos), são os achados mais frequentes. Todas as articulações devem ser estendidas e flexionadas, abduzidas e aduzidas, realizar movimentos de lateralidade, cizalhamento, pronação e supinação quando possíveis, e os ossos devem ser palpados profundamente.

Radiografias

Labrador 3 anos, 30 kilos, imagem do cotovelo direito nos posicionamentos: ML flet/est, CrCa, Obl. Acentuada irregularidade na margem não caudal de processo ancôneo, com reação óssea e formação de grandes projeções ósseas peri-articulares em borda cranial de rádio (bilateral), fragmentos ósseos livres e destacados na margem medial de processo coronóide direito com modificação esclerótica do padrão trabeculado ósseo em torno das superfícies articulares de cotovelos. Percebe-se reação óssea remodelada na face caudal supra-epicondiular de úmeros, grandes entesófitos no aspecto caudal de epicôndilo umeral medial e na borda lateral ao epicôndilo umeral lateral (bilateral), além de corpo mineralizado justa-articular na face medial à tróclea de úmero esquerdo.

Estudos radiográficos de OA citam uma prevalência de 16% a 90%, crescendo proporcionalmente conforme o aumento da faixa etária. Em ambas espécies, considerando o esqueleto axial, os segmentos mais acometidos são: o torácico e o lombo-sacro, enquanto as articulações apendiculares mais frequentemente alteradas são: a coxofemoral, cotovelos, joelhos e tarsos.

Entre os achados radiográficos rotineiramente encontrados podemos citar: mineralização de tecidos moles peri ou intra-articular, osteófitos, diminuição de espaço articular, erosão pericondral, esclerose subcondral, remodelamento ósseo, edema de partes moles, alterações de congruência e derrame articular. No entanto, as articulações com aspecto radiográfico normal podem apresentar-se histologicamente e clinicamente acometidas, com alterações como degeneração cartilagínea, capaz de gerar desconforto e manifestações clínicas. O contrário também se aplica, ou seja, articulações com aspecto radiográfico alterado podem não causar manifestações evidentes de dor.

Antes da realização do exame radiográfico é imprescindível a intervenção analgésica prévia, já que pacientes com OA podem manifestar dor durante o posicionamento.

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O diagnóstico adequado dos pacientes auxilia no estabelecimento de um plano futuro para alívio da dor, evitando maiores danos e promovendo qualidade de vida. Outros exames complementares, como a citologia articular e artroscopia, podem ser utilizados, aumentando o volume de informações e auxiliando na trajetória do tratamento.

Cão da raça PUG, 2 anos de idade, 11 kg, imagens ombro direito (ML, CaCr) e pelve (LL, VD). Exuberantes osteófitos periarticulares e acentuado arrasamento acetabular, incongruência articular, com moderado remodelamento de cabeças femorais e espessamento de colos femorais. Agenesia do sesamóide gastrocnêmico medial direito.

Moderada esclerose e irregularidade das superfícies articulares do cotovelo esquerdo, com reação óssea remodelada grandes projeções ósseas em processos ancôneos e área supra-epicondilar de úmero, além de remodelamento de cabeças radiais, grandes osteófitos peri-articulares, entesófito projetando-se caudalmente aos epicôndilo umeral medial e maiores nas margens laterais e mediais de epicôndilo umeral.

Conclusões: avançadas alterações artrósicas secundárias à severa displasia coxofemoral  bilateral e grave displasia do cotovelo.

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